
Cabo Escórcio com a cumbuca na mão, Sargento Clementino movendo a pedra azul, Cabo Erivando e Marinheiro Schimidt numa partida de Aliado Foto: Marcelo de Paula
Está em andamento o Campeonato de Aliado, iniciado no dia 10 de outubro e que deve se encerrar a 15 deste mês. Um próximo campeonato está previsto para ter inicio em janeiro vindouro. Aliado é um tipo de jogo que os militares da Marinha praticam, internamente, em momentos de lazer. Tem o objetivo de cultivar a união, lealdade e respeito mútuo através de uma disputa saudável e inteligente. As partidas estão sendo realizadas diariamente na Confraria do Aliado, na Rua Augusto Severo, 915. Interessados podem obter mais informações com Abmael (3284-2223) e Araildo Lisboa (9939-7170).
Um tabuleiro de lona, dois dados, uma cumbuca de couro e 16 peças divididas em quatro cores são os itens básicos para se jogar uma partida de Aliado, o jogo mais tradicional da Marinha, que assemelha-se ao Ludo. As freqüentes disputas no Cisne Branco normalmente acontecem antes do almoço e depois do jantar, chegando a aumentar a freqüência do número de jogadores nos fundeios do Navio, quando a rotina de trabalho diminui um pouco.
Com duas duplas disputando casa por casa até o final do jogo, uma partida de Aliado dura em torno de 30 minutos, ideal para distrair a tripulação nas longas jornadas de uma expedição.
O objetivo do Aliado é que um dos parceiros da dupla complete, com todas as suas quatro peças, o caminho a ser feito no tabuleiro. Mas não é tão fácil assim. Existem muitas dificuldades a serem vencidas. O adversário pode alcançar sua casa no tabuleiro e comer sua pedra, te arremetendo de volta para o início, há ainda casas com desenhos de caveira que, caso uma pedra caia ali, também fazem o jogador reiniciar a partida e bem perto do final você precisa tirar os números certos para poder finalizar a jogada com suas pedras.
Com um linguajar todo próprio, é interessante assistir uma partida de Aliado no salão de recreação do Cisne Branco. Sempre em tom de brincadeira, a disputa é acirrada do princípio ao fim. A seguir algumas das principais gírias do Aliado:
• Paiol – Local onde todas as pedras se concentram no início do jogo;
• Ás ou Sena – Só consegue sair do paiol o jogador que tirar os números 1 ou 6 nos dados;
• Peru – Aquele que assiste a partida e tenta tumultuar o jogo. Normalmente não torce para ninguém;
• Paioleiro – Aquele jogador que sempre morre e volta ao paiol;
• Sair Trepado – Sair com duas pedras na mesma casa;
• Estar Sangrando – Aquele que acabou de morrer e fica uma rodada sem jogar;
• Intoxicar – Agrupar e movimentar todas as suas pedras em uma única casa;
• Policial – Aquele que vê seu parceiro deslanchar na partida e começa a jogar apenas para caçar e matar os adversários;
• Matador – Excelente policial;
• Médico – Quem esquece de comer uma pedra do adversário na hora da sua jogada.
Além de todas essas e demais gírias peculiares, segundo o Sargento Clementino, um dos mais assíduos no Aliado, o jogo possuí duas maldições. “Os primeiros colocados de turma de toda a Marinha não conhecem o jogo, porque diz a lenda que aquele que começa a jogar não é premiado. E a segunda maldição está diretamente ligada a partida, ou seja, se o adversário matar seu próprio parceiro ele não consegue vencer. É claro que isso tudo é pura brincadeira que gira em torno da atmosfera festiva do jogo. Aqui no Cisne Branco nós aplicamos uma pena tradicional aos perdedores, que é servir café ou suco a dupla vencedora” – concluiu Clementino.